segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Paris, c´est magique!

 Hoje ouvi uma música no radio. Não me recordo o nome, mas era uma linda canção francesa. Queria ter lembrado pelo menos um pedaço para procurar a tradução. Estranhei, todavia, o ritmo. Não parecia música francesa. Mas não vem ao caso a música francesa, senão a vontade que fiquei de saber o que a intérprete falava, além das minhas lembranças daquela cidade francesa, Paris.
 Ano passado fui, pela primeira vez, em Paris. Confesso que fiquei muito decepcionada, pois esperava mais do que foi. Pois é! Pra mim não foi c'est magique. De repente, o destino anterior tivesse ofuscado a beleza de Paris que todos, unanimemente, bradam aos quatro ventos. É, realmente, uma covardia tentar ver algo depois de se deslumbrar com Roma. Mas enfim, talvez o meu erro tenha sido este: visitar Paris, depois de ter visitado Roma. Mas, vamos lá! Apesar de não ter me surpreendido com a beleza de Paris uma impressão minha me causou um certo espanto: Não é que o povo parisiense é educado e gentil?  Já havia sido advertida disso desde o aeroporto, quando pegava um RoissyBus baratinho direto para o Opéra; ela era turca; esqueci seu nome, residia em Paris há dois anos a trabalho e a dica foi: dá um sorriso e diga bonjour a todos sempre antes de qualquer coisa. Um francês que a tudo ouvia queria participar da conversa e, com um leve entortar de boca como quem está gostando do papo, expressava tal vontade, o problema foi o inglês cheio de erres, mas, com muito esforço, lá estavam dialogando: dois baianos, um deles também acabando com o inglês, introduzindo neologismos e frases mistas, com palavras em inglês e português, a propósito, era eu a inovadora; uma turca viajada pensando em turco, inglês, português (sim, ela tinha amigos brasileiros) e francês, acho que até um espanhol rolou pela sua cabeça e um francês que mal falava o inglês, mas estava se esforçando para tanto só para participar da conversa, não sei se por educação, por receptividade de bom anfitrião, ou, simplesmente por carinho pelos brasileiros turistas. Descemos na Opéra, nós (eu e meu marido) e o francês que nos indicou a fila de táxi que deveríamos pegar. Na fila, havia uma porção de jovens franceses que assistiam ao jogo do Brasil em algum bar. Lá pelas tantas - como o táxi demorou - os jovens franceses começaram a participar da conversa na fila e foi muito bom ver, de novo, que essa história de que parisiense é grosso é balela, balela mesmo, pois até o taxista foi um amor conosco e ouvia no som, acreditem, Axé music, enquanto nos mostrava orgulhoso um CD autografado de Gilberto Gil.
 E assim seguimos com a nossa viagem, sempre começando o diálogo com bonjour, traduzindo, bom dia, entretanto, falar bonjour antes de tudo é um atestado de boas maneiras para o parisiense, pelo menos é o que pareceu pra mim. Nos deparamos com várias situações em que a grosseria costumeira do parisiense poderia aparecer, mas o bonjour antecedente amolecia e como amolecia...
 Aí vem a célebre pergunta: Será que sou do contra? Advogada tem por mania discordar de tudo. A beleza de Paris que todos falam não me encantou e o povo parisiense conhecidamente bruto e mal-educado, na realidade, é o povo mais educado que já conheci no meu pouco bate pernas pelo mundo...
 Ficou confuso e acha que estou doida? Vá lá e confira. O máximo que pode acontecer é você achar Paris c´est magique e o povo parisiense bruto, mas nunca mal educados.

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